Antes de mais nada, quero deixar claro que um fim não quer dizer necessariamente que algo esteja acabado!
Este meu canto passou por seus altos e baixos, já foi muito movimentado cheio de comentários e participações assim como teve seus momentos de calmaria com sossegos mórbidos. Entraram e saíram links, nasceram para mim seres que antes não fazia idéia da existência e estes se tornaram por sua vez pessoas – pessoas maravilhosas de se conhecer – É, talvez eu tenha dito algumas palavras certas na hora certa. Quase como um imã atraí pessoas com poesia, citações de músicas, frases que também se fizeram em outras mentes, pornografia, nomes de pessoas/cidades e uma pitada de carisma, curiosidade e afinidades; que como respaldo tenho muitos hoje ao meu redor.
Não só isso... porque do contrário que minha psicóloga imaginava eu tinha e tenho uma vida social bem ativa. Neste canto deixava um pouco de mim, um pouco dos que me cercam e assim os meus próximos poderiam ter informações do meu dia a dia e saber um pouco dos meus sumiços.
Chorei e ri escrevendo, admirei, colori, aprendi, descrevi, li, reli... falei nas entrelinhas – ah, como fiz isso em sarcasmos anônimos, declarações ás surdas (sentimentos rebeldes estes meus, que nem em letras se deixariam descamuflar) – Fiz amigos...
Sim, os amigos, fiz alguns bons e queridos amigos que hoje fazem parte do meu cotidiano. Ganhei uma “filha”, um “namorado”, uma meia dúzia de fãs e outro tanto deste de amores e paixonites. Dividi com este canto e com os que ele freqüentaram alguns pormenores meus que mesmo os que convivem comigo desconhecem. Deixei contos, poemas e palavrões... deixei e deixo pedacinhos de mim em cada palavra e ponto que construí com estes meus dedinhos ágeis em movimentos repetitivos num teclado barulhento que insiste no incomodo constante dos que ficam a minha volta física.
Reclamei e fiz isso mais vezes do que queria, este cantinho foi meu ombro por diversos momentos, foi também ouvido e até mesmo um corpo todo – o meu – movido á cigarro, garrafinhas d’água e mais um monte de coisas de comer (como a colher de doce de leite que está metida em minha boca agora).
Mas um dia as coisas se esgotam e talvez o brilho deste canto tenha se esgotado, me senti incomodada muitas vezes em dizer o que sentia ou o que queria, mesmo isso aqui sendo meu. A verdade é que ele não era mais somente meu, nem nunca foi; é de muitos que acabaram dividindo os sentimentos bons e ruins.
Fica aqui, mais uma página minha, escrita sem nanquim mas impressa em letras claras. Continuo esperando que um dia a vida me acerte em cheio, continuo escrevendo como uma Pollyanna Kenga no Admirável Mundo Novo. Continuo a mesma de sempre, mas agora sem o cantinho da Camilaum. Sei que não parará a vontade de escrever, reclamar, rir, chorar, conhecer, ler... então nada melhor que criar um novo canto; um sem dogmas, regras e mesmices, um sem template lilás com título numa caixinha cor de abóbora. Mas isso ficará pra depois e deixo o aviso na “porta de casa”, afinal já passou da hora deu me mover e fazer algo melhorzinho para mim e para vocês.
Beijos e abraços apertados e cheio de carinho...
Camila Fujita Abrahão
